Infelizmente, nos últimos anos, os impactos causados pela ação do homem na natureza têm se acentuado e afetado profundamente todo os biomas do planeta, com repercussões inclusive na dinâmica climática global.

Com a retirada massiva da cobertura natural original, para diferentes ocupações e uso do solo como na produção agrícola, extrativismo mineral, expansão imobiliária, etc. e no caso mais específico do modelo agrícola hegemônico, calcado no uso indiscriminado e intensivo de agrotóxicos em sistemas de cultivo caracterizados pelo monocultivo e totalmente dependentes de insumos químicos externos, um dos principais impactos negativos tem sido a perda substancial da biodiversidade biológica.

Nesse contexto, os polinizadores, “peças-chaves” para o equilíbrio ambiental, estão sendo profundamente afetados, com seu declínio em escala global, já atestado pela classe científica internacional.

Dentre os vários polinizadores, as abelhas como principais agentes polinizadores têm papel de destaque e infelizmente têm sido um “símbolo” negativo dessa triste realidade, com a perda massiva de colônias manejadas racionalmente em vários países, afetando drasticamente a polinização de inúmeras culturas agrícolas, dependentes das abelhas e gerando milhões de dólares em prejuízo.

Em nosso país, esse quadro preocupante também se manifesta e alguns Estados, como o estado de São Paulo apresentam índices alarmantes de mortalidade massiva de colônias manejadas, tanto da espécie exótica Apis mellifera sp., como das inúmeras espécies de Abelhas sem Ferrão, que tem tido um aumento substancial nos últimos anos das colônias manejadas racionalmente, pelo crescimento da Meliponicultura.

Se os inúmeros casos de perda de colônias nos apiários e meliponários são uma realidade irrefutável, o que se pode imaginar que esteja ocorrendo, com os ninhos naturais presentes nesses poucos remanescentes florestais…

Entretanto, mesmo que possamos evidenciar, a partir dos inúmeros registros e relatos de produtores sobre as “perdas” frequentes de seus planteis de criação, essa verdadeira “calamidade” ambiental não tem tido a devida atenção do poder público, no intuito de punir os responsáveis e promover mecanismos de controle para mitigação desses impactos e de proteção desses importantes polinizadores e das próprias cadeias produtivas, que os utilizam como fontes de geração de renda sustentável.

Na prática o que se verifica é justamente o contrário, com inúmeras ações de fomento e subsídios dado pelo poder público, para a expansão desse setor agrícola e seu modelo altamente impactante para os recursos naturais como um todo.

No caso das Abelhas sem Ferrão, infelizmente não é só essa pressão de outras atividades produtivas e da perda histórica da cobertura vegetal original, que lhes trazem enormes riscos. O arcabouço regulatório voltado à sua criação racional também se tornou um dos principais empecilhos!

Desconectado com as realidades regionais e culturais e as características intrínsecas da Meliponicultura, atividade secular e tradicional das Américas, se baseia na lógica do “controle” excessivo de processos, colocando-a equivocadamente, no escopo dos animais silvestres criados em cativeiro, dentre tantas outras incongruências.

Além disso, ao longo do tempo, o que se percebe é um completo descaso do poder público, para com essa importante atividade produtiva e conservacionista, sem ações efetivas para seu fomento, as poucas peças regulatórias existentes, se mostraram totalmente ineficientes e incapazes de promover o desenvolvimento da Meliponicultura, que deveria ser seu principal objetivo.

A despeito de todo o potencial da Meliponicultura em gerar renda, emprego e ocupação com o uso sustentável da nossa própria biodiversidade e dos recursos naturais, o “olhar” que nos foi dado pelos órgãos reguladores, é de cunho punitivo, restritivo e altamente burocrático, agindo como um verdadeiro “gargalo” para a valorização do papel dos Meliponicultores, elos fundamentais na conservação dessas espécies altamente ameaçadas e para a expansão e desenvolvimento da Meliponicultura brasileira.

Nesse contexto e cenário adversos, nasceu a Associação de Meliponicultores do Estado de São Paulo – AMESAMPA, antigo pleito dos meliponicultores paulistas e amantes das Abelhas sem Ferrão, que tem ao longo de sua trajetória e ações realizadas, se consolidado como entidade representativa da categoria e de luta e resistência.

Mesmo diante de tantos desafios, a partir do seu compromisso em promover a tecnificação dos meliponicultores paulistas e a expansão da Meliponicultura em nosso Estado, busca também contribuir na eliminação dos principais gargalos, que travam o desenvolvimento de nossa atividade, não medindo esforços para o devido reconhecimento da importância das Abelhas sem Ferrão e da Meliponicultura, como atividade produtiva e conservacionista!

Convidamos assim, todos aqueles que desejam um futuro melhor para nosso país e o devido reconhecimento e valorização do papel fundamental que as Abelhas sem Ferrão desempenham, para apoiarem a nossa causa e fortalecer cada vez nossas ações!

JUNTOS POR UMA MELIPONICULTURA FORTE!!!