Homenagem da AMESAMPA a Paulo Nogueira Neto - PNN, o pai da Meliponicultura.

HOMENAGEM AO PATRONO DA MELIPONICULTURA BRASILEIRA

Nesse último dia 25 de fevereiro, um das personalidades mais importantes do nosso país e referência na temática ambiental e no estudo e valorização de nossas queridas Abelhas sem Ferrão, fez sua passagem e agora se junta a outros nobres cidadãos brasileiros, como o Dr. Warvick Estevan Kerr (1922-2018), João Maria Franco de Camargo (1941-2009) e Padre Jesus Santiago Moure (1912-2010), que também são referências internacionais no estudo das abelhas neotropicais nativas do Brasil, dentre tantas outras importantes ações em prol da ciência em nosso país.

Nascido em 18 de abril de 1922 na cidade de São Paulo, o Prof. Dr. Paulo Nogueira-Neto foi um ativista ambiental desde sempre e com coragem e espirito visionário, comum aos grandes líderes e pessoas diferenciadas, fez de sua jornada aqui conosco, um legado inigualável para o país e para as gerações futuras, no que concerne a proteção ambiental e a conservação e uso sustentável das Abelhas sem Ferrão.

Responsável pela perpetuação de “Unidades de Conservação” em todos os biomas brasileiros criou algumas das categorias de áreas protegidas, como as Estações Ecológicas (ESECs), as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e as Áreas de Relevante Interesse Ecológico (ARIEs), inclusive a primeira ARIE do Brasil foi instituída em terras de sua família em Cosmópolis-SP para “servir de exemplo”, como ele mesmo declarou!

Apaixonado pelas abelhas nativas, o Dr. Paulo, não mediu esforços para divulgar sua importância para a manutenção da vegetação nativa e cultivada, sendo um defensor do seu sugerindo a consideração como “animais domésticos” e passíveis de serem criadas em todas as regiões do país, como forma de preservá-las, conforme indicou em um artigo seu, publicado na Revista Mensagem Doce, no 123 da Apacame, em 2013, onde destacamos um trecho.
(http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/123/artigo3.htm)

“Uma questão de equilíbrio” – Paulo Nogueira Neto – 2013

….A Resolução CONAMA – 346/2004 tem alguns aspectos que a meu ver precisavam ser revistos e aperfeiçoados. Assim, como está agora, essa Resolução protege mais as espécies nativas das abelhas sem ferrão, as abelhas Meliponini. …Contudo, em vários lugares houve uma exceção: a Melípona scutellaris (URUÇU do NORDESTE), que em virtude de alguma ajuda recebida vive e se reproduz bem no Planalto Paulista, no Sul de Goiás, no litoral na mata atlântica paulista e em muitos outros lugares. Não vi sequer uma única enxameagem dessa abelha. Ela era reproduzida por divisão das colônias existentes, com sucesso. …A meu ver as M. scutellaris basicamente não oferecem perigo de extinguir colônias de outras abelhas. …Os órgãos estaduais de controle ambiental, agora reforçados nos seus trabalhos pelo IBAMA, poderiam dar permissão à criação local dessa espécie de abelhas (M. scutellaris). …Essa espécie poderia ser importante nos trabalhos de expansão da polinização de plantas úteis. Seu uso na polinização poderia ser vista, na minha opinião, como parte dos trabalhos científicos previstos na RESOLUÇÃO 346/2004 do CONAMA. Com os novos poderes efetivos que o IBAMA transferiu às entidades estaduais, sobre a criação de animais silvestres, poderão haver acordos sobre as questões aqui expostas. Ou seja, será possível criar no mesmo Meliponario, a M. scutellaris e as espécies nativas de Meliponini, lado a lado, como ocorre na realidade, sem problemas. Outra maneira de proteger essas abelhas seria a determinação, pelos Estados, que as abelhas Meliponini vindas de outros Estados sejam recebidas como animais domésticos e bem tratados. Isso é permitido pela atual Constituição Federal (1988) que dá aos Estados um poder legislativo.

Para nós, meliponicultores, pesquisadores e amantes das Abelhas sem Ferrão seus estudos pioneiros e importantíssimas contribuições para o conhecimento e divulgação das Abelhas sem Ferrão, foram e ainda são referências e estimularam a formação de uma geração de pesquisadores nessa temática, tão rica e com interface em diversos campos da ciência.

Considerado o “pai” da meliponicultura brasileira é criador do termo “meliponicultura”, citado pela primeira vez, em uma das publicações mais importantes sobre a biologia e a vida das Abelhas sem Ferrão (Vida e Criação das Abelhas indígenas sem Ferrão-1997).

Para os mais jovens, que infelizmente não tiveram a oportunidade de conhecer essa pessoa incrível, além de sua vida pública exemplar, como ser humano, sempre demonstrou humildade, bom humor e atitude acolhedora para com os mais jovens, independentes do nível escolar e social, participando sempre que possível de inúmeros eventos ligados a Meliponicultura, atendendo a todos com simpatia e atenção.

Há tempos se discute a proposição de uma data que possa trazer a importância do papel do meliponicultor na conservação, proteção e divulgação das Abelhas sem Ferrão para a sociedade em geral. Já temos datas para as “abelhas”, tanto nacionalmente (03 de outubro), como internacionalmente (20 de maio), assim como, para os apicultores (22 de maio).

Nesse sentido, por todo seu legado e forte ligação com nossa atividade, sugerimos que a data de seu nascimento passe a ser considerada como o “Dia do Meliponicultor” (18 de abril).

Dessa forma, ao homenagearmos o “pai” da Meliponicultura brasileira, contribuindo para que seu legado nunca seja esquecido, buscamos também valorizar nosso trabalho na conservação e no uso sustentável de nossas “preciosas” Abelhas sem Ferrão!!!!

Se você apoia essa iniciativa, junte-se a nós e busque apoio dos parlamentares para que esse processo possa ser tramitado na Câmara Federal.

Dr. Paulo, esperamos que aceite essa nossa singela homenagem e de onde estiver, possa continuar a nos ajudar a defender nossa biodiversidade e nossas Abelhas sem Ferrão, pois nosso trabalho precisa de toda ajuda possível!!!

Veja a homenagem completa aqui.

Ricardo Costa Rodrigues de Camargo
Presidente

Jaguariúna, 28 de fevereiro de 2019

 

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