RELATO: REUNIÃO APACAME-SP – 06 de fevereiro de 2019

A pedido dos nossos colegas da APACAME, representados pelo Sr. Eloi, fui convidado para proferir uma palestra na reunião mensal da Associação, no último dia 06 de fevereiro.

Nos foi pedido para fazermos um relato de nossa gestão enquanto Presidente da Câmara Setorial dos Produtos Apícolas 2014-18 e trazer o panorama geral sobre os avanços da Meliponicultura no estado de SP, a partir da criação e ações da própria AMESAMPA.

Nesse contexto, pude fazer um breve histórico desde sua recriação em 2014 e relatar algumas das principais ações realizadas e em linhas gerais mostrar o funcionamento da própria Câmara, em relação a indicação de membros, realização de reuniões, etc. ressaltando a importância dos produtores (apicultores e meliponicultores) para que passem a ter uma participação mais efetiva nas reuniões, que são abertas ao público.

Em face dos últimos acontecimentos, em decorrência da finalização de minha gestão, com a escolha de novo presidente e entrada de novas entidades como membros, nesse último caso, em um processo que desconsiderou a avaliação dos próprios membros da Câmara, a participação mais efetiva dos produtores, se torna mais ainda necessária!

Apesar de ainda termos a representação de nosso setor, com algumas associações de produtores, inclusive a nossa e a própria Federação como membros, a conformação atual da Câmara se modificou profundamente.

Por uma decisão unilateral do Secretário de Agricultura na gestão anterior, se tornaram membros da Câmara, empresários do setor apícola, com duas empresas presentes, além da própria Associação dos Exportadores de Mel-Abemel, que já era membro e hoje ocupa a presidência, mas que também é representante do elo empresarial.

Além dessas empresas, outras três ligadas a setores, que embora possam ter alguma relação com nossas atividades, são transversais a elas, como por exemplo, as empresas ligadas ao setor de celulose e reflorestamento.

Nesse sentido, os apicultores e meliponicultores paulistas tem que entender, que se não houver uma maior participação e “pressão” da base produtiva, para a solução dos principais entraves que dificultam o desenvolvimento das duas cadeias produtivas, outros interesses podem se sobrepor aos interesses da base produtiva.

Mesmo que todos os elos dessas cadeias produtivas tenham sua importância e devam estar representados, “conflitos de interesses” são reais e quando ocorre um desequilíbrio de representação entre esses elos, a “balança” pode pender mais para um lado, do que para o outro…

Nesse mesmo contexto foi apresentado um panorama geral da Meliponicultura em SP e no país, destacando-se o arcabouço legal e regulatório atual, totalmente adverso a sua expansão, de perfil restritivo e punitivo, com uma enormidade de processos burocráticos descabidos e completamente desconectados com a realidade atual da Meliponicultura e de todo seu processo histórico.

Os interesses dos meliponicultores em expandir a atividade e terem as condições adequadas para a prática da meliponicultura, muitas vezes se opõe aos interesses de grandes setores, que tem grande influência tanto na política, como na economia e que em suas práticas, afetam diretamente o equilíbrio ambiental, a viabilidade de nossa atividade e a conservação de nossas abelhas, como é o caso das empresas de agrotóxicos e do agronegócio em geral e em SP, com destaque para o setor sucroalcooleiro.

Sem flores, não há mel, sem os recursos necessários para as abelhas em um ambiente mais preservado e livre de contaminações químicas, como elas continuarão a desempenhar seu papel fundamental de polinizadores “chave” dos sistemas naturais e permanecer nesse planeta para as gerações futuras? E nós criadores, a partir de nosso interesse máximo de protege-las, como teremos as devidas condições para cria-las?

A despeito de tantas adversidades e sem uma perspectiva, a curto prazo, favorável para a alteração desse cenário, a Meliponicultura vem crescendo exponencialmente, com dezenas de eventos sendo realizados anualmente, em várias regiões do Estado, mesmo em um cenário de “crise” em nosso país.

Com o crescente interesse do público em geral, em conhecer mais sobre nossas Abelhas sem Ferrão e poder dominar minimamente as técnicas de sua criação racional, para passar a cria-las em suas casas, chácaras, sítios, etc, a Meliponicultura só cresce!

Além desse interesse cada vez maior do público em geral, pelas nossas queridas Abelhas sem Ferrão e de seus méis maravilhosos, setores como da alta gastronomia tem contribuído para valorização desses produtos únicos de nossa biodiversidade.

Nesse contexto, muitos meliponicultores esperam ansiosamente pelas devidas condições, para que a atividade seja exercida, sem “amarras” burocráticas desnecessárias, para que além do seu intrínseco aspecto conservacionista, possa ser exercida como uma atividade produtiva, de enorme potencial para a geração de renda, a partir das inúmeras possibilidades comerciais (produção e venda de colônias, produtos, serviços de polinização, etc.)

Dessa forma, agradecemos a oportunidade, que nos foi gentilmente dada, para a exposição desses aspectos, que ao nosso ver, são tão importantes como o aprendizado das técnicas de manejo.

Enquanto criadores e defensores das abelhas, temos que entender melhor o contexto onde estamos inseridos dentro desse “tabuleiro”, repleto de interesses e nos unirmos cada vez mais, para mostrar a nossa força e assim termos melhores condições de reivindicar nossas demandas e lutar para uma Meliponicultura desburocratizada e valorizada!!!

Chega de tantas injustiças com nossa atividade e com nossas queridas Abelhas sem Ferrão.

Juntos por uma Meliponicultura Forte!!!

Ricardo C. R. de Camargo

Presidente

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